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Saiu no Jornal O Popular

 

Grupo de extermínio

 

Igreja denuncia ameaças de PMs

 

Seis entidades ligadas à Igreja Católica em Goiás denunciaram ontem a ocorrência de ameaças continuadas a religiosos e políticos que atuam na defesa dos direitos humanos em Goiás, feitas por policiais militares, e pessoas ligadas a eles. Todos teriam sido presos na Operação Sexto Mandamento, desencadeada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano, e que culminou na prisão de 19 militares acusados de participação em um grupo de extermínio.


 

As entidades assinam uma nota oficial em que cobram proteção efetiva às vítimas de ameaças, celeridade na apuração dos crimes e punição dos culpados, e efetivação de um modelo de segurança pública pautado na cidadania. Recentemente, após as prisões, cinco pessoas teriam sofrido ameaças de morte, por telefone, ou intimidação após a prisão dos militares, em fevereiro. As ameaças estariam sendo feitas por telefone, seja diretas, com ameaças de morte, ou ligações durante a madrugada, sem se falar nada, com o intuito de intimidação. Assinam a nota a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - Regional Centro-Oeste, Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) - Regional Goiás, Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Pastoral Carcerária Nacional, Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil e Comissão Episcopal para o Serviço à Caridade a Justiça e da Paz.
A nota foi elaborada durante reunião realizada na sede da CNBB, em Brasília, no dia 16 de junho. O caso, de acordo com o bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno ainda não havia sido divulgada porque o grupo tentava audiência com o governador Marconi Perillo, para tratar do assunto.


Segundo d. Tomás, a postura da Igreja, neste momento, é de cobrar providências não só em relação ao caso específico, mas uma mudança na política de segurança pública, de responsabilidade do Estado.


Vice-coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, a irmã Petra Silvia Pfaller, frisa que são ameaças sérias e defende a implantação de um modelo de segurança pública cidadã. "Existem muitos bons policiais militares e civis em Goiás", assinala.


As ameaças estariam sendo praticadas em função da atuação dessas pessoas no acompanhamento dos casos de pessoas desaparecidas após abordagens policiais.


O caso foi levado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SNDH), ligada à Presidência da República. Um relatório foi entregue à ministra Maria do Rosário.


Procurada ontem pela reportagem, a assessoria de comunicação da Polícia Militar informou que nenhum documento foi encaminhado para a corporação nem mesmo para a Corregedoria da PM. "Soubemos disso pela imprensa e assim fica difícil ponderar sobre o documento. O que sugerimos é que tais entidades procurem a Corregedoria da PM, caso estejam se sentindo ameaçadas em qualquer sentido, pois é nosso interesse fazer esclarecimentos", informou o tenente-coronel Divino Alves.

 

Fonte: Jornal  O Popular

 

 

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